quarta-feira, 8 de junho de 2016

GRANDES NOMES

MÁRIO JOÃO


Mário João. Barreiro. 6 de Junho de 1935. Defesa.
Épocas no Benfica: 5 (57/62). Jogos: 89. Golos: 4. Títulos: 3 (Campeonato Nacional), 3 (Taça de Portugal) e 2 (Taça dos Campeões).
Outros clubes: CUF. Internacionalizações: 3.

  


A proposta de um louvor ao feérico alfobre do Barreiro ficava bem ao Benfica. De Félix, Arsénio e Moreira a Adolfo e Chalana, com José Augusto e Mário João no meio do desfile cronológico. Todos atletas de bitola singular. Atletas com livre-trânsito no compêndio de sucessos da instituição.

Ao crescer mesmo ao pé do campo de jogos da CUF, Mário João desde cedo sentiu atracção pela bola, pelo jogo, pelo futebol. Historietas tinha para levar e contar, dos 15 anos em diante, no percurso juvenil feito com as cores do clube fabril da então vila operária.

Chegou ao Benfica na segunda metade da década de 50. Era avançado. O brasileiro Otto Glória tutelava tecnicamente a equipa e transformou-o em defesa. Opção reiterada pelo austro-húngaro Béla Guttmann seria. Primeiro, à esquerda, numa altura em que Ângelo se lesionou. Depois no flanco dextro, com o regresso do colega à competição. Polivalente se fez na cortina defensiva. Também na turma das quinas, na qual experimentou várias posições. Com a Jugoslávia, actuou na canhota; com a Bélgica, surgiu à direita; enquanto perante o mesmo adversário, dois anos volvidos, haveria de colocar-se a médio defensivo. Foram as três internacionalizações de Mário João, enquanto jogador do Benfica. Uma outra registou, mas já de retorno à CUF, clube que veio a selar a sua carreira futebolística.
  

Em cinco épocas, levando “na alma a luz intensa”, venceu três Nacionais, duas Taças de Portugal e bisou também na mais apetecida das provas, a Taça dos Clubes Campeões Europeus. Numa orquestra de violinos, era um trombone eficaz e nem se importaria de ser bombo. Queria era jogar. Com hiperexigência pessoal. Um baluarte na dedicação, na firmeza, na combatividade. Jogadores como ele não diminuíam o colectivo, antes acrescentavam novas e decisivas atitudes.

Despiu a camisola berrante no primeiro dia do mês de Julho de 1962. No Estádio Nacional, participou no triunfo sobre o V. Setúbal (3-0), com golos de Eusébio (2) e Cavem. A equipa bicampeã da Europa via cair o pano, após dois anos de exuberância competitiva. Se pudesse, Mário João continuaria na cruzada, talvez até a jogar de graça, pela graça do Benfica.