segunda-feira, 16 de maio de 2016

OS JOGOS DA ÉPOCA

RONDA A RONDA, O FILME DO CAMPEONATO



Os jogos da época: ronda a ronda, o filme de um campeonato O Benfica é tricampeão nacional depois de uma luta ao centímetro com o Sporting, como há muito não se via. Num campeonato marcado pelas constantes picardias entre os rivais de Lisboa, o FC Porto foi o elo mais fraco dos candidatos e cedo ficou longe da corrida.

A época 2015/16 será, também, lembrada pelos feitos de Arouca e Tondela. Os primeiros conseguiram o quinto lugar (melhor classificação de sempre) e consequente apuramento para a Liga Europa. Já a equipa tondelense criou um dos contos de fadas do ano ao renascer das cinzas e garantir a manutenção depois de uma ponta final alucinante.

Esta Liga já terminou. Agora, apenas pode recordar. O Maisfutebol ajuda-o com isso. Escolhemos, para cada uma das rondas da Liga, um jogo marcante. Boa viagem.

1ª jornada: 

Tondela-Sporting, 1-2 A abertura do campeonato teve vitórias tranquilas de Benfica e FC Porto, ficando o Sporting, na estreia do Tondela na Liga, com o resultado mais à justa. Um golo de penálti nos descontos, após um lançamento irregular de João Pereira, transformou-se no primeiro grande caso da época mas deu a vitória a Jesus.

2ª jornada: 

Arouca-Benfica, 1-0 A primeira derrota do campeão aconteceu na mini-Luz de Aveiro, com Roberto a marcar logo aos 3 minutos. O resultado não sofreu mais alterações e, surpresa das surpresas, o Arouca de Lito Vidial era líder isolado do campeonato!

3ª jornada: 

Sp. Braga-Boavista, 4-0 Vitória sofrida a abrir, derrota em Vila do Conde a seguir e, à terceira, demonstração cabal de poderio. O Sp. Braga de Paulo Fonseca ganhava pujança, com bis de Vukcevic, uma das revelações do início da época, além dos golos de Crislán e Alan.

4ª jornada: 

Benfica-Belenenses, 6-0 Às dúvidas iniciais, Rui Vitória respondeu com a primeira goleada da época: 6-0. Resultado que Sporting e Paços de Ferreira também iriam conseguir, mais à frente, mas que ninguém superou.

5ª jornada: 

FC Porto-Benfica, 1-0 A noite de André André. Se o início da época já tinha prometido, pela raça evidente que colocava em campo, o golo da vitória sobre o Benfica, no Dragão, catapultou o médio para lugar de destaque da equipa portista. 
Os dragões queriam apagar de vez o fantasma de Lima, da época passada, que deixara marcas na corrida ao título. O jogo foi equilibrado durante grande parte do tempo, mas com ascendente evidente do FC Porto na segunda metade. Até ao golo, conseguido após arrancada de Brahimi, toque de calcanhar de Varela e remate certeiro de André André. O FC Porto parecia caminhar para uma época triunfal…André André protagonizou um dos poucos momentos felizes da época portista

6ª jornada: 

Moreirense-FC Porto, 2-2 Durou menos de uma semana o estado de graça portista. À vitória no Clássico no domingo, seguiu-se um comprometedor empate em Moreira de Cónegos, na sexta-feira, desperdiçando duas vantagens no marcador, a última a dois minutos do fim.

7ª jornada: 

U. Madeira-Benfica, 0-0 Deveria ter-se jogado a 4 de outubro, mas foi só às portas do Natal que os encarnados enfrentaram o União, no primeiro de vários jogos da Liga adiados pelas más condições do tempo na Madeira. O nulo penalizou muito o Benfica e a contestação fez-se ouvir…

8ª jornada: 

Benfica-Sporting, 0-3 Se o triunfo na Supertaça já tinha dado moral ao Sporting de Jesus, a categórica vitória na Luz, a 25 de outubro, mostrou que era mesmo candidato ao título, como o técnico prometera. 
Com uma primeira parte alucinante para os leões e trágica para as águias, o Sporting isolava-se na frente do campeonato, pois, logo a seguir, o FC Porto empatava em casa com o Sp. Braga. Teo Gutierrez, Slimani e Bryan Ruiz marcaram os golos que cavavam um fosso de sete pontos para o Benfica, que era apenas sexto por essa altura.  Foi a 25 de Outubro de 2015 que o Sporting gelou a Luz

9ª jornada: 

P. Ferreira-V. Guimarães, 0-1 Um golo de Ricardo Valente ao minuto 90 deu a primeira vitória a Sérgio Conceição, depois de substituir Armando Evangelista que teve um início bem abaixo do esperado no Minho. Era o início da recuperação do Vitória.

10ª jornada: 

Arouca-Sporting, 0-1 Naldo expulso, Lito Vidigal pelo chão, o Arouca a pedir penálti sobre Adilson e Slimani a resolver tudo em cima da hora. É este o resumo de uma das vitórias mais suadas da época do leão.

11ª jornada: 

Sp. Braga-Benfica, 0-2 O jogo da reviravolta. O rumor que corria falava na obrigatoriedade de vencer para Rui Vitória manter o lugar à frente do Benfica. O jogo era difícil, o Sp. Braga já tinha empatado no Dragão e mostrava qualidade na Europa. 
A 30 de novembro, o Benfica chegou, viu e venceu. Na estreia a titular de Renato Sanches na Liga, dois golos em 11 minutos fizeram a história do embate. Depois, com alguma sorte à mistura (os bracarenses enviaram duas bolas ao ferro), o Benfica geriu e levou os três pontos. Era o início real da caminhada para o título. A vitória em Braga fez nascer um novo Benfica

12ª jornada: 

FC Porto-P. Ferreira, 2-1 A primeira ‘remontada’ de Lopetegui. O técnico carregava, desde a época passada, o peso de nunca ter conseguido dar a volta a um jogo em que começou a perder, mas na receção ao Paços, Corona e Layún, no primeiro penálti da época para o FC Porto, anularam a ousadia inicial de Bruno Moreira.

13ª jornada: 

V. Guimarães-Marítimo, 3-4 A jornada dos 40 golos (melhor marca da época) teve dois 4-3, mas o mais espetacular aconteceu no Minho. Um jogo de loucos, em que o Vitória recuperou de duas desvantagens (0-1 e 1-3) para ver tudo ruir com um golo de Fransérgio nos descontos.

14ª jornada: 

U. Madeira-Sporting, 1-0 Cinco dias antes, o União tinha empatado com o Benfica. Proeza. A 20 de dezembro derrota o Sporting. Proeza ainda maior. Valeu o golo de Danilo Dias a deixar, pela primeira e única vez na época (e no consolado Lopetegui) o FC Porto isolado no comando.

15ª jornada: 

Sporting, FC Porto, 2-0 É tão bom ser líder, não foi? Durou uma jornada (com o Natal pelo meio) a liderança do FC Porto. O Sporting resgatou o trono com uma exibição convincente no Clássico de Alvalade, a abrir 2016. Slimani foi a figura do jogo, ao fazer os dois golos leoninos, numa espécie de «teaser» para o que haveria de conseguir no Dragão, lá mais para o final da época. Lopetegui ficava no fio da navalha…

16ª jornada: 

FC Porto-Rio Ave, 1-1 Adiós Lopetegui. Numa jornada inteiramente disputada a meio da semana, os dragões não vão além de um empate frente ao Rio Ave, num jogo em que até estiveram a vencer. João Novais coloca o último prego na cruz do técnico espanhol. Seguem-se lenços brancos e assobios como nunca antes. Lopetegui fica por instantes no relvado, pensativo. Desce, admite que não será problema se a direção desejar a sua saída e, dias mais tarde, é mesmo isso que acontece. Fim da linha. A uma jornada do fim da primeira volta, o FC Porto despedia Lopetegui

17ª jornada: 

Sporting-Sp. Braga, 3-2 Épica reviravolta para segurar a liderança. Ao intervalo o Sp. Braga ganhava 2-0, a um quarto de hora do fim ainda vencia, mas por 2-1. Depois Montero empatou e Slimani (quem mais?) em cima da hora deixaram Alvalade ao rubro.

18ª jornada: 

Sporting-Tondela, 2-2 Salva Chamorro, lembra-se? Enorme surpresa no arranque da segunda volta. A jogar com 10 por expulsão de Rui Patrício, o Sporting dá a volta ao marcador mas permite ao suplente Chamorro, que estava de saída do clube, fazer o empate. O Tondela conquistava o nono ponto na Liga.

19ª jornada: 

FC Porto-Marítimo, 1-0 A estreia de Peseiro. O FC Porto já corria por fora pelo título, mas ainda sonhava. José Peseiro é o homem escolhido para a missão e um golo de André André, a meias com a trave e o guarda-redes Salin, dá uma estreia positiva ao novo líder.

20ª jornada: 

Sporting-Académica, 3-2 Polémica, polémica…Uma decisão infeliz do auxiliar de Cosme Machado, que viria a público reconhecer o erro, permite à Briosa uma igualdade a dois, que só Montero desfaz perto do fim.

21ª jornada: 

FC Porto-Arouca, 1-2 A primeira derrota de Peseiro na noite em que o FC Porto perdeu Maicon e a Liga descobriu Walter Gonzalez, autor dos dois golos do Arouca. O primeiro foi mesmo o mais rápido do campeonato, logo aos 9 segundos.

22ª jornada: 

Benfica-FC Porto, 1-2 Provavelmente, a melhor exibição individual de um guarda-redes neste campeonato. Iker Casillas mostrou toda a sua qualidade na Luz, deu contributo de luxo à vitória de um FC Porto remendado e segurou a ilusão do título por mais umas semanas. Herrera e Aboubakar anularam o tento inaugural de Mitroglou. O resto foi Casillas, sendo que a defesa mais espantosa até foi num lance em que Martins Indi quase fazia autogolo. Efeito prático: o Sporting era de novo líder isolado. O melhor Casillas da época viu-se na Luz

23ª jornada: 

P. Ferreira-Benfica, 1-3 Em mais um jogo polémico, desta feita pelo penálti que Jorge Ferreira assinalou sobre Jonas e que virou o jogo, o Benfica reentrou nos eixos depois da derrota no Clássico. Mostrou ao Sporting que não desistiria facilmente.

24ª jornada: 

V. Guimarães-Sporting, 0-0 Tropeção na pior altura. O Sporting deixou dois pontos no Minho e, com isso, o Benfica passou a depender apenas de si para chegar ao título. Havia um jogo em Alvalade na semana seguinte…

25ª jornada: 

Sporting-Benfica, 0-1 O jogo que virou o campeonato. Mitroglou acabou com a série de vitórias leoninas sobre o rival (foram três em competições diferentes) e deixou Rui Vitória a rir por último no duelo com Jesus. O Sporting dominou o jogo por mais tempo e podia, perfeitamente, ter conseguido outro resultado. Quem esquece o falhanço de Bryan Ruiz? A vitória foi encarnada e havia dois pontos à maior para os bicampeões. Que duraram até ao final. Esta foi a jornada decisiva do campeonato, até porque em Braga o FC Porto caía de vez ao perder por 3-1. Mitroglou fez o golo que virou o campeonato

26ª jornada: 

Marítimo-Boavista, 0-3 Jogo decisivo para a manutenção dos axadrezados. Triunfo cabal, com três golos na segunda parte e Zé Manuel a brilhar no contra-ataque.

27ª jornada: 

Boavista-Benfica, 0-1 Numa das piores exibições das águias no pós-Alvalade, valeu Jonas, nos descontos, a compensar a total falta de inspiração. A estrelinha estava mesmo com o Benfica.

28ª jornada: 

FC Porto-Tondela, 0-1 O FC Porto bate no fundo, como o próprio Pinto da Costa assume. Esfumam-se as ténues esperanças de um milagre que levasse ao título e o Tondela renasce para a luta na Liga. Nesta mesma jornada, o Benfica goleia o Sp. Braga em perfeita demonstração de força.

29ª jornada: 

Sp. Braga-Moreirense, 1-1 Com os dragões em quebra, havia ainda quem levantasse a hipótese de o Sp. Braga tentar incomodar a luta pelo terceiro posto. Mas à segunda derrota seguida, agora em Paços de Ferreira, do rival, os bracarenses respondem timidamente: um empate arrancado a ferros por Boly, nos descontos.

30ª jornada: 

Benfica-V. Setúbal, 2-1 Começa o ‘Jogo da Mala’, polémica que marca o fim da Liga. Arnold, isolado, falha o que seria o empate para os sadinos. O seu comportamento no final levanta questões entre os benfiquistas: haveria prémio extra?

31ª jornada: 

Rio Ave-Benfica, 0-1 No jogo que era visto como o mais difícil teste ao Benfica, a estrelinha volta a aparecer. Um corte defeituoso de André Vilas Boas leva a bola à trave e Raúl Jiménez, talismã em vários jogos, está no sítio certo para manter a liderança encarnada.

32ª jornada: 

FC Porto-Sporting, 1-3 Luta até ao fim. O Sporting passa com classe perante um Dragão doente e garante que o título vai ser discutido até aos limites. Slimani completa o que havia feito na primeira volta e bisa mais uma vez, expondo as gritantes limitações defensivas dos portistas. Dois golos em Alvalade e mais dois no Dragão: Slimani, a besta negra do FC Porto

33ª jornada: 

P. Ferreira-Tondela, 1-4 O Benfica resiste na Madeira sem Renato Sanches, o Sporting goleia o V. Setúbal, o Arouca vai à Europa e a Académica desce de Divisão. Mas a história que abre a boca de espanto ao país do futebol é a epopeia do Tondela que vence categoricamente em Paços de Ferreira e sonha com o que parecia impossível: ficar entre os grandes.

34ª jornada: 

Benfica-Nacional, 4-1 E no último assalto o Benfica não vacila e garante o 35º título de campeão nacional do seu pecúlio e o primeiro tricampeonato desde 1977. Uma vitória esclarecedora sobre o Nacional, que tornou vã a goleada do Sporting em Braga, por 4-0.

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