segunda-feira, 3 de setembro de 2018

ÁLVARO GASPAR

MORREU FAZ HOJE 103 ANOS

DEUS PROTEJA A TUA ALMA CAMPEÃO




Lisboa. 10/5/1889 - 3/9/1915
Épocas no Benfica: 3 (11/14).
Jogos: 16. Golos: 18.
Títulos: 3 (Campeonato de Lisboa).




Rezam as crónicas que no primeiro de Janeiro de 1905, o então Sport Lisboa disputou o jogo inaugural de uma caminhada que talvez ninguém vaticinasse no mínimo centenária. Foi frente ao Campo de Ourique, nas Salésias (em Belém), com triunfo 1-0. Já depois da fusão (13 de Setembro de 1908) com o Grupo Sport Benfica, mais tarde Sport Clube de Benfica, da qual resultou o actual Sport Lisboa e Benfica, o Campeonato de Lisboa era a prova dominante. Assim, foi até quase à década de 30.



A temporada de 1913/1914, no inicio da I Guerra Mundial, ficou na história do novel clube. O Benfica venceu a edição em todas as categorias, quatro eram. Fez o pleno. Ainda que grosseira a comparação, seria um tanto como na actualidade garantir a conquista, no mesmo ano, dos Nacionais de infantis, iniciados, juvenis, juniores e seniores.



Nesse longínquo 1914, um jogador sobressaiu aos demais. Álvaro Gaspar era o seu nome. De alcunha Chacha, avançado de posição. Com Paiva Simões, Homem de Figueiredo, Henrique Costa, Cosme Damião e Artur José Pereira, todos integrantes da Selecção de Lisboa que, um anos antes, havia digressionado pelo Brasil. Viviam-se tempos de futebol casto. Insipiente.



Álvaro Gaspar actuou três anos com o emblema do Benfica. Outras tantas vezes venceu o Campeonato de Lisboa. Reputavam-no executante fantástico, já tecnicamente perfumado, com sentido de organização, temível a finalizar. Havia ingressado nas fileiras do clube pouco depois da fundação. Assistiu apenas ao primeiro desafio oficial, a 4 de Novembro de 1906, frente ao Carcavelos, a melhor equipa do ano, com derrota por 3-1. Ele que se iniciou no patamar inferior, na terceira categoria, sempre em espiral, até à turma de honra.



Em Março de 1913, relatos na época mencionam que aos ombros havia sido levado, até aos balneários pelos componentes de uma equipa inglesa, o New Cruzaders, maravilhados com os seus atributos de índole técnica. Numa espécie de paleolítico superior, naqueles pré-história do futebol aborígene, o Chacha parecia de outro estádio de desenvolvimento. A  melhor exibição, pelo menos a mais produtiva, realizou-a em Dezembro de 1913. O Benfica aturdiu (9-0) o Cruz Quebrada, com cinco golos de Álvaro Gaspar. Sempre na presença do tutor Cosme Damião, lenda benfiquista, fundador, jogador, técnico, dirigente.  Aquele que “fez do Benfica o maior clube português”, segundo o mestre Cândido de Oliveira.



Álvaro Gaspar contribuiu, embrionariamente, para o estatuto singular e não menos invejável do clube. Com aura popular. Ainda na casa dos 20 anos, adoeceu e deixou de jogar. Mesmo desaconselhado pelos médicos, não perdia pitada dos jogos da sua equipa de afeição. Minado pelo infortúnio, morreu a 3 de Setembro de 1915, foi sepultado no cemitério da Ajuda.


O FUNERAL DE ÁLVARO GASPAR


Em agonia, antes de morrer, utiliza as últimas palavras para fazer dois pedidos: Abracem o Cosme Damião, capitão e companheiro de lutas passadas e que o caixão seja coberto com a bandeira do Benfica, do Clube que tantas vezes defendi!

Chegados até aqui, a este marco triste, sempre o último para qualquer ser humano, o funeral distingue-nos dos restantes espécies animais. Para estas o último "marco" é a morte (penúltima para os humanos).

Vai fazer 101 anos, no dia 4 de Setembro, estava a ser velado para perfazer 24 horas de morto (21 horas de dia 3 às 21 horas de dia 4) e poder ser sepultado, pelas 10:30 horas da manhã de 5 de Setembro de 1915.


 Sua ultima morada Rua dos Jerónimos nº. 24 r/c



  
Nada mais há acrescentar que publicar as notícias da Imprensa (que ilustram bem a popularidade do jogador em 1915). Depois o relato do funeral, passam amanhã 99 anos. E finalmente um texto - mais um - brilhante de António Ribeiro dos Reis publicado no jornal "O Sport de Lisboa" n.º 107 em 11 de Setembro de 1915. Uma semana depois do falecimento e enterro.




Em 4 de Setembro de 1915


A Capital


O Século 


Em 5 de Setembro de 1915   Diário de Notícias 
 O Século 


Ilustração Portuguesa n.º 500 
DESPEDIDA






  


A MAIS BELA HOMENAGEM QUE SE PODE TER


 António Ribeiro dos Reis

O Sport de Lisboa n.º 107; 11 de Setembro de 1915



QUE DURMA EM PAZ!






Álvaro Gaspar a primeira Glória a deixar prostrados os Benfiquistas. Pela Idade. Pela Desgraça. Pelo Valor. Pelo Futebol. Mas acima de tudo pelo Benfiquismo! Poderá haver muitos que sejam tão Benfiquistas quanto foi o "Chacha". Nunca haverá ninguém que o seja mais do que ele foi! E é! Porque passados cem anos ainda falamos nele!
HOJE FAZ 39 ANOS

JÚLIO CÉSAR

PARABÉNS CAMPEÃO




Júlio César Soares Espíndola

Júlio César Soares de Espíndola, mais conhecido como Júlio César nasceu em Duque de Caxias a 3 de Setembro de 1979  é um futebolista brasileiro que actua como guarda-redes.

Em 2009, a IFFHS nomeou-o como o terceiro melhor guarda-redes do mundo, atrás apenas de Iker Casillas e Gianluigi Buffon. Ele também foi premiado como o melhor GR do campeonato italiano em 2009 e 2010.  Ele foi nomeado para o Ballon d'Or de 2009 e foi o 21º jogador mais bem colocado, sendo o 2° melhor GR da lista; Casillas, em 16° lugar, foi o mais bem colocado.

Em Junho de 2016, o jornal inglês "Daily Mail" elaborou um ranking com os jogadores mais vitoriosos em actividade naquele momento. Júlio César apareceu no topo da lista.


Infância e Juventude

Júlio César nasceu em Duque de Caxias e viveu a infância na Penha , subúrbio do Rio de Janeiro. Júlio jogava no asfalto, com meias no lugar de luvas. Aos 9 anos, Júlio César começou a jogar Futsal no Grajaú Country Club, uma equipe da Zona Norte do Rio de Janeiro, e desde já, demonstrava talento.

Flamengo

Aos 12 anos de idade, Júlio César chegou ao Flamengo pra fazer um teste, e passou. Aos 17 anos foi promovido à equipa  profissional e conquistou três Campeonatos Cariocas, duas Copas dos Campeões, e uma Copa Mercosul.



Inter de Milão

Então, veio o reconhecimento internacional, que o levou a transferir-se para a Inter de Milão em 2005. O que parecia um passo a frente, virou decepção. Nos primeiros seis meses, Julio foi emprestado ao pequeno Chievo Verona também da Itália, mas não recebeu, uma chance sequer de jogar pelo Chievo. Depois, Júlio voltou de férias para o Inter.



Na sua primeira temporada na Inter, Júlio César já era titular.Ganhou um voto de confiança do técnico Roberto Mancini, tornando-se rapidamente uma das principais peças da equipe Nerazzurri e deixando o já em fim de carreira Toldo, que também fora ídolo da equipa de muitos anos, no banco de reservas.

O Auge

Na sua mais vitoriosa e principal temporada pelo Inter, 2009–10, conquistou o triplete, com os títulos da Liga dos Campeões da UEFA, Taça de Itália e Serie A. 



No dia 26 de Agosto de 2010, foi eleito ainda o melhor Gr do futebol europeu na temporada, recebendo o prémio na cerimonia de sorteio dos grupos da Liga dos Campeões da temporada seguinte.

Queens Park Rangers 

Aos 32 anos, o JC acertou a sua transferência para o Queens Park Rangers no dia 29 de Agosto de 2012, assinando um contrato válido por quatro temporadas.  Fez a sua estreia pelo QPR contra o Chelsea a 15 de Setembro. Rapidamente se estabeleceu como o primeiro gr da equipa, deixando o companheiro recém-contratado do QPR, Robert Green no banco de suplentes. 


Depois de muitas boas actuações em jogos ao longo da temporada, o Queens Park Rangers desce de divisão em 28 de Abril de 2013, num empate a zero com o Reading. Júlio César ficou fora do primeiro jogo. 

O treinador do QPR Harry Redknapp optou em dar a titularidade a Green . Após nove meses sem ser convocado,  para um jogo pelo Queens Park Rangers, Julio Cesar foi titular no jogo contra o Everton, mas não evitou a goleada por 0–4 que eliminou o time na taça da Inglaterra.

Toronto FC

A 14 Fevereiro de 2014 o Toronto FC, clube canadense que disputa a Major League Soccer, anunciou a sua contratação por empréstimo, cujos termos não foram divulgados. Utilizou o dorsal número 30.  



Estreou-se pelo clube  cinco dias depois num torneio de pré-temporada, o Walt Disney World Pro Soccer Classic, na partida em que o Toronto perdeu por 1-3 com o Columbus Crew, com Julio como titular o jogo inteiro.  Na MLS estreou em 16 de marco na vitória por 2-1 sobre o Seattle Sounders. Em 25 de Julho o clube anunciou o fim do empréstimo. 

Benfica 

Em 19 de Agosto de 2014 foi contratado pelo Benfica por duas temporadas, estreando-se a 21 de Setembro contra o Moreirense na  Liga de 2014–15. Titular na equipe, lesionou-se a partir de Março de 2016 sendo substituído pelo também brasileiro Ederson. Em 29 de Maio do mesmo ano renovou o seu contrato até 2018. 



Selecção Brasileira 

Júlio César foi convocado pela primeira vez para a Selecção Brasileira no ano de 2002, em 2003 foi convocado para a Taça das Confederações para ser reserva de Dida. Estreou-se como titular no ano seguinte, em 8 de Julho de 2004, contra o Chile na Copa América de 2004. 



Actuou pela Selecção Brasileira também durante as eliminatórias das duas Copas do Mundo seguintes, sendo convocado para ocupar a vaga de terceiro Gr na edição de 2006 e de titular na edição de 2010. Nesta última, o Brasil foi eliminado perdendo por 1–2 com a Holanda e ele próprio reconheceu que cometeu uma falha no primeiro golo holandês. 



Tornou a ser convocado em Janeiro de 2013, quando Luiz Felipe Scolari o foi buscar para integrar o elenco que enfrentou a Inglaterra em 6 de Fevereiro. Declarou que, apesar da opção de Mano Menezes de o não chamar  mais após a Copa América de 2011 e de jogar pelo pequeno Queens Park Rangers: "Nunca desistiu de jogar pelo Brasil. 



A 14 de Maio de 2013, foi convocado para a Taça das Confederações no Brasil em 26 de Junho de 2013, na partida contra Uruguai válida pela Copa das Confederações, Júlio César defendeu o penalti cobrado por Diego Forlán que ajudou o Brasil a se classificar para a final da competição, no final o Brasil venceu por 2–1, e na partida final da competição contra a Espanha, Júlio César não sofreu golos e o Brasil venceu por 3–0 e conquistou a Taça das Confederações de 2013. 




Campeonato do Mundo de 2014 

Convocado para o Campeonato do Mundo de 2014 foi titular em todas as partidas da Selecção. Nos oitavos-de-finais do Campeonato do Mundo de 2014 contra o Chile, que terminou empatado no tempo normal, defendeu dois penaltis, e foi eleito o melhor jogador em campo. Entretanto, na semifinal contra a Alemanha, sofre sete golos no chamado Mineiraço e declarou: 




"Preferia 1 a 0 com um erro meu do que 7 a 1".  Na disputa pelo terceiro lugar contra a selecção Holandesa sofreria mais três golos na derrota por 0–3. 

Vida Pessoal 

Júlio casou-se em 26 de Abril de 2002 com a actriz Susana Werner com quem tem dois filhos: Cauet, nascido no dia 1 de Outubro de 2002, e Giulia, nascida em 30 de Julho de 2005. Ele é patrocinado pela NIKE. Em 2010, Júlio César envolveu-se num acidente de carro. 








O adeus ao Benfica 

Em tom emocionado, no dia 28 de Novembro de 2017, Júlio anuncia perante os seus companheiros e colegas no balneário do Benfica que rescindiu o seu contrato que o ligava ao clube das águias até Junho de 2018. "O meu caminho termina aqui, mas o vosso continua..." assim proferiu. 



OBRIGADO CAMPEÃO POR TUDO O QUE DESTE AO BENFICA

sábado, 1 de setembro de 2018

FAZIA HOJE 93 ANOS

PARABÉNS CAMPEÃO

CORONA



Eduardo José Corona
1 de Setembro de 1925 - 22 de Março de 2008

O que é uma Corona? Uma descarga luminosa. O que era o Corona? Uma descarga luminosa. Uma? Duas, três, muitas descargas luminosas. De vermelho-vivo. No seu posto, no seu flanco. Com a sua arte, a sua magia. Para fazer assistências, fazer golos. Dar alegrias, dar títulos.



Era mais um produto do vivificante Barreiro. Chegou ao Benfica na época 46/47, a quarta consecutiva e último da húngaro Janos Biri. Só fez cinco jogos e dois golos, que não era fácil garantir sucesso no reino da águia. No reino dos também avançados Julinho, Arsénio, Espírito Santo, Baptista, Mário Rui e Rogério. No ano seguinte, com o regresso de Lipo Herezka ao comando, passou a ser mais utilizado. Uma derrota, em casa, frente ao Elvas, inviabilizou a toma do Nacional. Venceu o Sporting, com os mesmos pontos, mas à melhor de um golo. Por isso, rotulada a prova foi de campeonato do pirolito.

Progressivamente, Corona ia garantindo a titularidade. Só que explodia de ganância por um titulo, que teimava em escapar. A música era ditada pelos Violinos do Sporting. Assim foi também em 48/49, época em que o Benfica infligiu 13-1 ao Académico de Viseu, com dois golos da sua lavra, registo apenas superado 40 anos depois, num Benfica-Riachence, para a Taça de Portugal, com Toni no banco e o nigeriano Ricky a marcar seis tentos. Valeu, então, a Taça, ganha à custa do Atlético (2-1), com Corona na abertura do activo.
  


Sob a direcção de Ted Smith, finalmente, a consagração na magistral temporada de 49/50. Vitória no Campeonato, vitória na Taça Latina. Um golo apontou ao Bordéus, antes da finalíssima, que não prescindiu da sua presença. Mais três Taças de Portugal haveria de ganhar, frente à Académica, ao Sporting (com um golo) e ao FC Porto. Nesta última, participou no inicio do trajecto, mas não no embate decisivo. É que a descarga, essa, já não era tão luminosa.

Fez 129 partidas oficiais, tendo apontado 60 golos. Uma marca simpática, no mínimo, para um extremo. Era à direita que Corona elegia terreno propicio às suas habilidades. Escorreitas, sempre. Tratava a bola com intimidade, com subtileza, com gabarito. Era um ablutor do ataque. Na imensidão dos seus truques. Corona jamais deslustrou ao lado de Félix, de Francisco Ferreira, de Espírito Santo, de Arsénio, de Julinho, de Águas, de Rogério. Corona acrescentou. Com nível superior. Pela elementar razão de que significava continuidade ou, melhor ainda, fundada a expectativa na mudança das agulhas de um jogo. Motivo de sobra para ser incluído no género dos criativos. Daqueles que não são proscritos pela verdade centenária.



Épocas no Benfica: 7 (46/53)

Jogos: 129
Golos: 60

Títulos: 1CN, 4 TP, 1 Taça Latina